Efeito cascata: fechamento de aeroporto em Londres causa pane global na aviação
Publicado em 21/03/2025 15:15
Internacional

O incêndio em uma subestação elétrica em Hayes, subúrbio de Londres, que forçou o fechamento do Aeroporto de Heathrow, nesta sexta-feira (21), levou o caos à aviação mundial. O incidente interrompeu pelo menos 1.351 voos de entrada e saída, afetando até 145 mil passageiros, segundo estimativas da empresa de análise de companhias aéreas Cirium. Heathrow é o aeroporto mais movimentado da Europa e o segundo no mundo.

O local, que recebeu mais de 84 milhões de passageiros em 2023, é um dos principais hubs de conexão global. Com o fechamento, 120 aeronaves que estavam a caminho do aeroporto foram desviadas para terminais alternativos, como Gatwick (Londres), Schiphol (Amsterdã), Charles de Gaulle (Paris), Shannon (Irlanda) e Frankfurt (Alemanha). Outros voos tiveram de retornar ao ponto de partida.

A British Airways, que tem Heathrow como principal hub, afirmou que o fechamento “terá claramente um impacto significativo nas operações e aos clientes”. A companhia está trabalhando para informar os passageiros sobre suas opções de viagem.

Passageiros de todo o mundo foram afetados. Muhammad Khalil, de 28 anos, que planejava viajar de Londres para o Paquistão, lamentou o cancelamento de seu voo. “Estou planejando essa viagem há três meses. Gastei muito dinheiro com as passagens”, disse à AFP.

Na Coreia do Sul, a Korean Air adiou um voo para Heathrow em 22 horas, enquanto a Qantas desviou dois voos australianos para Paris. Em Cingapura, um casal que aguardava o embarque para Londres foi informado sobre o cancelamento e hospedado em um hotel até a retomada dos voos.

O impacto financeiro do fechamento deve superar 50 milhões de libras (cerca de R$ 368 milhões), incluindo prejuízos para o aeroporto e as companhias aéreas, de acordo com o consultor de aviação Philip Butterworth-Hayes.

As causas do incêndio, que começou na noite de quinta-feira (20), ainda estão sob investigação da polícia antiterrorismo, mas as autoridades afirmam que não há indícios de ato criminoso.

“Para garantir a segurança, o aeroporto permanecerá fechado até 23h59 locais (20h59 em Brasília) do dia 21 de março”, informou um porta-voz de Heathrow em comunicado. “Esperamos interrupções significativas nos próximos dias, e os passageiros não devem ir ao aeroporto em nenhuma circunstância até que ele reabra”.

O incêndio, que atingiu um transformador contendo 25 mil litros de óleo de resfriamento, foi controlado pelos bombeiros na manhã desta sexta-feira. Jonathan Smith, porta-voz do Corpo de Bombeiros de Londres, destacou que o fogo representou “um risco significativo devido à presença de equipamentos de alta tensão”.

Além do impacto no aeroporto, o apagão deixou 100 mil residências sem energia durante a noite, segundo o ministro britânico da Energia, Ed Miliband.

O fechamento de Heathrow gerou críticas à infraestrutura do aeroporto. Willie Walsh, diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), questionou a falta de um sistema de energia alternativo.

“Como uma infraestrutura de importância nacional e global pode ser completamente dependente de uma única fonte de energia sem alternativa? Esta é uma falha clara de planejamento por parte do aeroporto”, afirmou Walsh no X.

Uma fonte do aeroporto disse à BBC que geradores foram acionados, mas não eram suficientes para religar a energia em todo o terminal. O processo de redirecionamento de energia para as áreas afetadas está em andamento, mas “leva tempo”, segundo a fonte.

Heathrow, inaugurado em 1946, é um dos principais motores econômicos do Reino Unido. Com quatro terminais e duas pistas de quase quatro quilômetros cada, o aeroporto opera no limite de sua capacidade. Em janeiro, o governo britânico autorizou a construção de uma terceira pista, que deve ficar pronta até 2035, após anos de disputas legais com moradores locais.

(Imagem/Reprodução: Diario do Centro do Mundo )

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