Governo de SP orienta cidades a manter vacinação contra Covid de adolescentes sem comorbidades após Ministério da Saúde mudar recomendação
16/09/2021 16:05 em Saúde
O governo do estado de São Paulo disse nesta quinta-feira (16) que orientou os municípios a manter a vacinação de adolescentes sem comorbidades após o Ministério da Saúde publicar, na noite desta quarta (15), uma nota técnica mudando a regra e orientando a suspensão.
A medida fez com que as cidades de Natal e Salvador suspendessem a aplicação nesse público. Já cidades como São Bernardo do Campo, Santos e a capital paulista seguem aplicando a vacina nesse grupo.
Em nota, o governo estadual lamentou a alteração e a considerou equivocada.
"A vacinação nessa faixa etária já é realizada nos EUA, Chile, Canadá, Israel, França, Itália, dentre outras nações. A medida cria insegurança e causa apreensão em milhões de adolescentes e famílias que esperam ver os seus filhos imunizados, além de professores que convivem com eles."
No texto, a gestão estadual ainda afirma ainda que não fará alterações no cronograma do Programa Estadual de Imunização.
"Coibir a vacinação integral dos jovens de 12 a 17 anos é menosprezar o impacto da pandemia na vida deste público. Três a cada dez adolescentes que morreram com COVID-19 não tinham comorbidades em São Paulo. Este grupo responde ainda por 6,5% dos casos e, assim como os adultos, está em fase de retomada do cotidiano, com retorno às aulas e atividades socioculturais".
Ainda de acordo com a pasta, a vacinação dos jovens de 12 a 17 anos começou em SP no dia 18 de agosto e já foram imunizadas cerca de 2,4 milhões de pessoas, ou seja, 72% deste público.
"Infelizmente, e mais uma vez, as diretrizes do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde chegaram com atraso e descompassadas com a realidade dos estados, que em sua maioria já estão com a vacinação em curso."
OMS e 'excesso de vacina'
No documento, o Ministério alega seguir uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que a vacinação desse grupo seja feita somente nos que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade, apesar da autorização pela Anvisa do uso da Vacina Cominarty (Pfizer/Biontech).
A nota, entretanto, usa de forma equivocada uma orientação da OMS. Em julho, quando foi anunciada a recomendação do uso de Pfizer para menores de 16 anos, a organização apenas sugeriu que os países priorizassem a população de risco no atual momento da pandemia. A orientação é pautada em um possível compartilhamento de vacinas entre países, de forma a ampliar a imunização mundial.
A mudança na regra por parte do governo federal ocorre horas após o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmar, durante agenda para liberação de doses em São Paulo, que há "excesso de vacinas" no país.
Na segunda-feira (13), Queiroga defendeu que a campanha de vacinação no Brasil é um "sucesso" e que a reclamação por falta de doses é "narrativa".
Ao menos seis estados enfrentaram falta de imunizante para a segunda dose. São Paulo chegou a acionar o STF alegando atraso na entrega de imunizantes.
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