Amazônia tem o maior número de focos de queimadas dos últimos 14 anos para mês de junho
01/07/2021 10:20 em Crime
A Amazônia teve 2.308 focos de calor em junho, segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe). Este é o maior número de queimadas desde 2007 para o mesmo mês comparado com dos anos anteriores. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (1º).
 
Junho de 2020 já havia registrado o recorde histórico em focos de calor para o mesmo mês, mas os registros em junho deste ano foram ainda maiores, representando um aumento de 2,6%.
 
Veja o aumento consecutivo do registro de fogo na Amazônia para o mês de junho desde 2019:
 
Junho de 2019: 1.880 focos de calor
Junho de 2020: 2.248 focos de calor
Junho de 2021: 2.308 focos de calor
 
Os dados do Inpe mostram que a situação já preocupa na Amazônia antes mesmo do início da temporada do fogo, que se inicia em agosto de cada ano e dura cerca de quatro meses.
 
Maio já havia sido um mês de recorde de fogo: os satélites do Inpe registraram 1.166 focos, um aumento de 49% do que o registrado em maio de 2020. O número em maio deste ano também foi 34,5% superior à média histórica do mês.
 
O Greenpeace Brasil relacionou as queimadas na Amazônia com o desmatamento e as mudanças climáticas. A organização lembrou ainda que a queima de florestas e outras vegetações nativas é a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil.
 
“Estamos vivendo um momento muito triste para a floresta e seus povos. Eles estão sendo atacados por todos os lados, seja pelos desmatadores, grileiros, madeireiros e garimpeiros que avançam sobre a floresta ou territórios, seja por meio do Congresso e do Poder Executivo que, não só não combatem esses crimes e danos ambientais, como os estimulam, seja por atos ou omissões”, disse Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil.
 
Na terça-feira, o governo federal publicou um decreto com validade imediata suspendendo por 120 dias o uso de fogo no território nacional, conforme o previsto no decreto 2.661, de 1998, que trata de práticas agropastoris e florestais.
 
Porém, na comparação entre maio e junho deste ano, o aumento nos focos de queimadas em junho foi de 98% de um mês para o outro.
 
O Greenpeace afirma, contudo, que apenas medidas como essa não são capazes de coibir o fogo na Amazônia, uma vez o governo federal publicou o mesmo decreto no ano passado e, no entanto, os focos de incêndio em 2020 foram 15% maior do que os registrados em 2019.
 
5 mil campos de futebol na mira do fogo
 
Um levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Woodwell Climate Research publicado nesta quarta-feira (30) mostrou que uma área de 5 mil quilômetros quadrados desmatados na Amazônia, correspondente a 5 mil campos de futebol ou quatro vezes a cidade de São Paulo, está sob risco de queimada na temporada do fogo de 2021.
 
Segundo os pesquisadores, as áreas desmatadas e ainda não queimadas desde 2019 e uma seca intensa provocada pelo fenômeno La Niña indicam atenção especial para a ocorrência do fogo na Amazônia especialmente no sul da região.
 
Mais de um terço dessa região sob risco está concentrado em apenas dez municípios de quatro estados: Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia.
 
O levantamento também esclarece que o fogo na Amazônia não é natural, mas provocado, principalmente, pelo desmatamento da floresta, e piorado pelas mudanças climáticas.

 

 
COMENTÁRIOS
PUBLICIDADE